Não é engraçado

Sílvio e Hebe trocam selinho no Troféu Imprensa 2009

Quando a gente pensa que nada mais vai nos causar choque no mundo de hoje, eis que sempre surge uma nova maneira. A mais recente é o quadro do programa Sílvio Santos – com um nome bem “criativo”, para dizer o mínimo – “Você não é engraçado mas eu quero te beijar” (ou algo parecido). Consiste no seguinte: Seis moças do auditório são escolhidas para irem ao palco e lá, elas acompanham o desempenho de diversos rapazes que têm 30 segundos para fazer alguma graça (contar piadas, cantar, imitar, recitar poesia… ou seja, “se vira nos 30”!). Tempo esgotado, as moças decidem se querem ou não beijar o rapaz. Depois de todas estarem com seu respectivo par, eles vão para o palco e se beijam sob os gritos frenéticos do auditório. O melhor beijo, no conceito das “colegas de trabalho”, ganham o prêmio maior. Por “melhor” beijo, entenda-se o mais próximo de uma cena de filme pornô possível, onde o casal só falta arrancar a roupa e transar no palco.

Não sou nenhum moralista e também não sou ingênuo a ponto de não saber que isso acontece nas baladas a torto e a direito: as moças e os rapazes passam a noite inteira beijando estranhos e voltam pra casa sem nenhum, ou seja, o conhecido “ficar”, mas acho que a TV brasileira não precisava disso em rede nacional, ainda mais num programa “família” como o do Sílvio Santos. Bola fora do apresentador, que sempre prezou pelo entretenimento sadio, voltado para as donas de casa, seu público mais fiel. Será que as vovós, acostumadas a acompanhar a carreira do Homem do Baú gostariam de ver suas netas em uma beijação semierótica com um desconhecido que elas “conheceram” por 30 segundos? Minha mãe ficou horrorizada. Eu, mais novo, fiquei envergonhado.

Como disse acima, não sou moralista e até me considero bem mente aberta, até mesmo por força da profissão. No entanto, acredito que cada coisa tem seu devido lugar. E, mesmo sendo mente aberta, ainda carrego um pouco de romantismo, algo que falta nos relacionamentos de hoje. Há tanta discussão por conta do beijo gay, se ele deve ou não acontecer em novelas, com um público a favor e outro contrário, dizendo que acha nojento ver dois homens ou duas mulheres se beijando. Nesse assunto, prefiro me manter neutro, mas uma coisa é certa: o “beijo hetero” também pode ser bem enojante, dependendo do modo como é dado. Sílvio Santos, mestre da comunicação, poderia ter poupado a si mesmo e a família brasileira desse vexame.

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