Estreou neste final de semana, o filme Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança, aguardado com certa expectativa por este que vos escreve, uma vez que, ao contrário da maioria dos críticos, tem o primeiro filme como uma boa produção. Com o anúncio de que a continuação corrigiria os defeitos do primeiro filme, a esperança de que o personagem conquistasse um lugar ao sol era grande… Mas ainda não foi dessa vez.
Ninguém pode reclamar que Motoqueiro Fantasma 2 (vamos chamá-lo assim) não tenha ação. Os diretores Mark Neveldine e Brian Taylor, que já haviam dirigido o filme Adrenalina 1 e 2, rechearam a aventura do herói flamejante com muita adrenalina (com o perdão do trocadilho). O filme já começa com uma agitada perseguição com direito a tiros, carros capotando e explodindo.
O jovem Danny (que, em nenhum momento do filme é mencionado como sendo Danny Ketch, o segundo Motoqueiro Fantasma dos gibis), protegido por uma seita religiosa, é perseguido por malfeitores e consegue escapar juntamente com sua mãe, graças a ajuda de Moreau (Idris Elba, o Heimdall de Thor). O motivo foi sendo revelado conforme a história se desenrola: ele é o corpo perfeito, preparado pelo próprio demônio para ser o receptáculo para sua encarnação na terra.
Alguém tem que impedir que isso aconteça e sobra para nosso herói flamejante. Escondido e controlando, com muita dor e esforço, suas transformações em Motoqueiro Fantasma, Johnny Blaze (Nicolas Cage, mais canastrão do que nunca) luta para se livrar de sua maldição. Moreau o encontra e promete a cura, desde que ele ajude a resgatar e proteger o pequeno Danny.
Essa é a missão de Blaze, que vai nortear todo o filme, até a batalha final do Motoqueiro Fantasma com seus algozes: o vilão Blecaute (Johnny Whitworth), que tem o toque da morte, e Roarke (Ciarán Hinds), o demônio em pessoa (“Ele se apresenta com vários nomes”, diz Moreau em certo momento).
O erro de Motoqueiro Fantasma 2 é não ter uma trama paralela. Tudo gira em torno de encontrar o Danny, proteger o Danny, resgatar o Danny, proteger o Danny, regado com perseguições frenéticas, carros explodindo e fogo, muito fogo, mas muito fogo MESMO. O filme é um verdadeiro espetáculo pirotécnico. Tudo explode, tudo pega fogo e tudo solta tanta fumaça preta que chega a incomodar.
Esse visual hardcore foi feito para agradar os fãs do personagem, que exigiram um herói mais condizente com seu perfil dos quadrinhos: agressivo, violento e impiedoso, bem diferente da caveira clean do primeiro filme. Até aí, tudo bem. Mas dar um clima mais infernal à produção, não significa que o personagem está melhor adaptado, principalmente quando tudo que o Motoqueiro faz é urrar, gritar e mexer o corpo com movimentos robóticos, embalado em uma tonelada de efeitos visuais pirotécnicos que nada contribuem para a trama.
Além disso, não há química entre os personagens, que parecem todos meio forçados na trama. Até agora, não entendi o que Christopher Lambert fez ali, num papel praticamente figurativo. Um talento desperdiçado, sem dúvida. Para piorar, há vários erros conceituais que não vamos revelar por completo para não entregar spoilers, mas vale dizer que o olhar de penitência do Motoqueiro Fantasma foi totalmente descaracterizado e virou apenas uma forma de se ver as chamas do crânio do herói refletida no olho do criminoso. Nada além disso. Também é inconcebível que o diabão, o Senhor das Trevas, o todo-poderoso dos reinos infernais seja retratado como um banana que tem medo de sua própria criação. Quem, teoricamente, tem tanto poder, não pode desfazer aquilo que fez? Como assim, Bial?
Porém, nem tudo é ruim no filme: há uma forma bem bacana de contar os flashbacks: a origem do Motoqueiro é recontada em estilo motion comic (animação que consiste em dar movimento a imagens estáticas), mesclada com atores reais. Também a origem de Zarathos, o demônio que habita a alma de Johnny Blaze e confere a ele seus poderes, é retratada dessa forma, embasando a mitologia do herói. Uma inovação dentro de uma produção cinematográfica que, sem dúvida, tornou o filme mais ligado à sua mídia de origem, as HQs. A interpretação de Fergus Riordan, no papel de Danny, também garante os melhores momentos. O garoto tem futuro.
Nicolas Cage já anunciou que gostaria de fazer um Motoqueiro Fantasma 3, mas é melhor ele desistir da ideia. Se a ideia de Motoqueiro Fantasma 2 era redimir o personagem de sua produção anterior, a missão foi mal-sucedida. Ele continua sendo um personagem amaldiçoado, tanto no seu conceito, como nas adaptações cinematográficas. Cage precisa arrumar outro herói favorito pra encarnar. Só esperamos que não seja o Superman!





























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